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Ayahuasca

A ayahuasca é uma preparação líquida de várias plantas originárias da américa latina popularmente conhecida pela sua capacidade de produzir intensos efeitos psicadélicos.

Consiste, tipicamente, na infusão de plantas ricas em DMT (como a casca do tronco da Mimosa hostilis) juntamente com plantas que contêm IMAO (como a Banisteriopsis caapi). Esta combinação activa e potencia a N,N-dimetiltriptamina no organismo, uma vez que a ingestão apenas desta monoamina resulta na sua rápida destruição por enzimas oxidase localizadas no estômago/intestinos.[1][2]

É utilizada em cerimónias espirituais pelos povos nativos da Amazónia há milhares de anos, afirmando estes que receberam as instruções directamente dos próprios espíritos das plantas. Foi documentada pela primeira vez no início da década de 1950 pelo etnobotânico Richard Evans Schultes.

Tal como outras substâncias psicadélicas, a ayahuasca não é considerada aditiva pela comunidade médica e científica.[3] No entanto, a sua ingestão pode originar reacções adversas como ansiedade, paranóia, ilusões e psicose em pessoas mais predispostas a doenças psiquiátricas.[4] Apesar de ser considerada por vários investigadores relativamente segura[5], é recomendado abordar esta poderosa e imprevisível preparação alucinogénica com extremo cuidado e preparação apropriada.


Índice

PreparaçõesEditar

Fontes naturaisEditar

EfeitosEditar

FísicosEditar

CognitivosEditar

VisuaisEditar

MelhoriasEditar

DistorçõesEditar

Estados alucinatóriosEditar

MultisensoriaisEditar

TranspessoaisEditar

AuditóriosEditar

ResiduaisEditar

FarmacologiaEditar

Os efeitos psicadélicos são o resultado da interacção sobre o receptor 5-HT2A como agonista parcial.[8][9]

Os três harmanos (alcalóides) mais estudados da Banisteriopsis caapi são a harmina, harmalina e tetrahidroharmina. Os dois primeiros são inibidores selectivos e reversíveis da monoamina oxidase A (IMAO-A), enquanto que a tetrahidroharmina é um fraco inibidor da recaptação da serotonina (IRS). [10] Esta inibição da MAO-A permite que a N,N-dimetiltriptamina se difunda sem ser destruída pelas enzimas da monoamina oxidase no canal digestivo, acabando por atravessar a barreira hematoencefálica e activando os receptores no cérebro.

Toxicidade e possíveis riscos associadosEditar

Tal como outras substâncias psicadélicas, a ayahuasca não é considerada aditiva (pelo contrário, o desejo de voltar a consumir pode realmente diminuir com o uso) pela comunidade médica e científica e é tida como sendo relativamente segura[5][3] Vários estudos científicos demonstram que, utilizada em doses razoáveis, por pessoas psicologicamente equilibradas e num contexto apropriado, o seu consumo não apresenta consequências negativas, quer físicas ou cognitivas, para a saúde.[11][12]

Dose letalEditar

Estima-se que a dose letal seja cerca de 50 vezes superior a uma dose comum.

TolerânciaEditar

A tolerância aos efeitos produzidos pela ayahuasca ou DMT não se acumula com o uso repetido. Não desenvolve tolerância sobre outras substâncias psicadélicas.

Combinações perigosasEditar

A combinação de feniletilaminas ou estimulantes com IMAO aumenta drasticamente a potência e duração destas, podendo facilmente desregular os receptores de dopamina e serotonina e originar crises hipertensivas, síndrome da serotonina ou outras complicações graves.

Exemplos:

Potencial na medicinaEditar

DepressãoEditar

Um estudo clínico realizado em 6 voluntários revelou uma redução significativa de até 82% nos sintomas depressivos após uma única administração de ayahuasca. Os investigadores concluíram que "estes resultados sugerem que a ayahuasca tem efeitos ansiolíticos (aliviador da ansiedade) e antidepressivos de ação rápida em pacientes com transtorno depressivo".[13]

O mecanismo pela qual a ayahuasca produz efeitos antidepressivos ainda não é conhecido, mas alguns estudos sugerem que os efeitos como IMAO e IRS e o agonismo do recetor 5-HT2A possam ser relevantes. No entanto, é necessária mais investigação para entender os efeitos das substâncias psicadélicas nos transtornos depressivos.

LegislaçãoEditar

PortugalEditar

A ayahuasca é uma preparação psicoactiva legal.

Na conduçãoEditar

Conduzir sob influência de qualquer substância psicotrópica é considerada uma contra-ordenação muito grave e é punível com uma coima que poderá variar de 500 a 2500€.

ReferênciasEditar

  1. MHASKE, Santosh B.; ARGADE, Narshinha P. The chemistry of recently isolated naturally occurring quinazolinone alkaloids. Tetrahedron, 2006, 62.42: 9787-9826.
  2. RIBA SERRANO, Jordi. Human Pharmacology of ayahuasca. 2004.
  3. 3,0 3,1 LÜSCHER, Christian; UNGLESS, Mark A. The mechanistic classification of addictive drugs. PLoS medicine, 2006, 3.11: e437.
  4. STRASSMAN, Rick J. Adverse reactions to psychedelic drugs. A review of the literature. J Nerv Ment Dis, 1984, 172.10: 577-595.
  5. 5,0 5,1 NICHOLS, David E. Psychedelics. Pharmacological reviews, 2016, 68.2: 264-355.
  6. HASSAN, Ikram. Some folk uses of Peganum harmala in India and Pakistan. Economic Botany, 1967, 21.3: 284-284.
  7. ANDRITZKY, Walter. Sociopsychotherapeutic functions of ayahuasca healing in Amazonia. Journal of Psychoactive Drugs, 1989, 21.1: 77-89.
  8. http://beckleyfoundation.org/2016/03/30/the-visual-effects-of-ayahuasca-in-humans-the-first-study-to-employ-a-ketanserin-blockade/
  9. VALLE, Marta, et al. Inhibition of alpha oscillations through serotonin-2A receptor activation underlies the visual effects of ayahuasca in humans. European Neuropsychopharmacology, 2016, 26.7: 1161-1175.
  10. CALLAWAY, James C., et al. Pharmacokinetics of Hoasca alkaloids in healthy humans. Journal of ethnopharmacology, 1999, 65.3: 243-256.
  11. GUIMARÃES DOS SANTOS, Rafael. Safety and side effects of ayahuasca in humans—an overview focusing on developmental toxicology. Journal of Psychoactive Drugs, 2013, 45.1: 68-78.
  12. BARBOSA, Paulo Cesar Ribeiro, et al. Health status of ayahuasca users. Drug testing and analysis, 2012, 4.7-8: 601-609.
  13. OSÓRIO, Flávia de L., et al. Antidepressant effects of a single dose of ayahuasca in patients with recurrent depression: a preliminary report. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2015, 37.1: 13-20.